Apesar da sua grande importância, foi um assunto simplesmente esquecido pelos nossos meios de comunicação, mais precisamente no estado do RS, devido ao acidente da TAM (não que um assunto seja mais importante que o outro, mas que não deveriam concentrar as luzes da imprensa em um único assunto e esquecer o resto).
As primeiras universidades a utilizar o sistema de cotas de ensino de que se tem notícias no Brasil foram as universidades estaduais do Rio de Janeiro (Uerj), do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf), da Bahia (Uneb) e do Mato Grosso do Sul (UEMS) em 2003. Já a primeira instituição federal a adotar tal sistema foi a Universidade de Brasília (UnB), no segundo semestre de 2004, esta ultima parece que foi uma das que mais causou polêmica nacional ao adota-lo (ao menos foi uma das mais citadas pelos meios de comunicação).
No Brasil algumas universidades adotaram o sistema de cotas para os indígenas, como por exemplo: Universidade Federal do ABC (UFABC) e a Universidade Federal do Tocantins (UFT).
Além das faculdades já citadas, as Universidades Federais da Bahia (UFBA), de Alagoas (Ufal), de São Paulo (Unifesp) e a do Paraná (UFPR) também possuem sistemas de cotas.
Hoje é a vez das discussões na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) , onde acontecem as mesmas discussões que aconteceram nas universidades antes citadas. Alguns meios de comunicação expressam claramente sua oposição a esta forma de seleção por motivos não muito claros.
Tenho uma opinião formada a respeito deste assunto. Porém, ela não deve ser encarada como sendo a mais pura das verdades nem a mais correta (afinal, não sou da imprensa).
Muito se fala que este assunto é na verdade uma forma de discriminação racial, já que faz uma diferenciação de pessoas pela sua cor e que isto acentuaria a discriminação racial existente em nosso país, devido ao favorecimento da entrada de pessoas devido à sua cor. Porém, isto é uma bobagem, vivemos numa sociedade onde claramente existe um preconceito criado pela maior parte da população onde se associa a cor com a classe social (classe social não deveria significar nada) ou uma coisa bem pior, onde se associa a cor a índole das pessoas (o que é extremamente imbecil). Essa associação muitas vezes se deve ao passado histórico do nosso país que fez com que índios fossem escravizados ou na maior parte deles dizimados de nosso país além dos negros que foram retirados à força em navios "negreiros".
Chegando aqui, estes, trabalhavam na base da tortura até o fim de suas vidas. Quando foi abolida a escravatura a maior parte dos negros que aqui viviam, não tinham formação para viver em uma sociedade de padrão de cultura européia. Sendo assim, já foram libertos de forma marginalizada (vivendo à margem da sociedade).
Isto foi o que causou esta associação de níveis sociais com a cor da pele além de todas as visões preconceituosas encravadas em nossa sociedade.
Sendo assim, as cotas devem ser criadas SIM e deveriam ser para todas as Universidades Federais para que os erros do passado sejam corrigidos. Para que a educação, nível social, nível de renda entre outros sejam igualitários para todos exterminando qualquer associação de cor com qualquer outro item na sociedade brasileira.
Só é necessário uma ressalva: que este sistema seja criado com data para acabar. Porém que durasse um bom tempo, como por exemplo uns 50 anos que poderia ser prorrogável por mais 20 ou 30 anos.
Esta solução visa igualar as condições de luta das pessoas da nossa sociedade.
Você defende o sistema de cotas, mas é justo uma pessoa passar na UnB, por exemplo, tirando 45 (de 0 a 200) na vaga de uma pessoa que tirou 128? E a qualidade do ensino? Segundo o presidente de uma sociedade de negros do país, essa política afirmativa realmente trás preconceito. Pagariamos de forma muito mais justa nossas dívidas com os negros se dessemos equação de qualidade em todos os níveis. Desde o básico. De baixo pra cima e não o contrário. Desse jeito eles poderiam disputar de igual para igual uma vaga em qualquer universidade do país. Luter King já dizia que não queria que os negros tivessem privilégios, eles queriam (e querem) que eles sejam tratados por igual a qualquer outra raça. Falando em raça, qual é a raça do nosso povo? Quantos negros ou brancos de verdade temos aqui no país?
Só que o que existe hoje em dia também é que uma pessoa de cor clara com o mesmo nível de escolaridade de uma pessoa de pele mais escura mas que mesmo assim em média ganha um valor abaixo do dos brancos.
É preciso acabar com o preconceito que existe no Brasil. Acho que esta NÃO deve ser a única medida em relação a isto, porém, é uma das formas.
Reformular a educação publica também deve ser uma prioridade, porém, no Brasil ao meu ver não se liga muito mais para isto. A sociedade não cobra e os políticos não fazem por não dar tantos votos. Prioriza-se a quantidade de alunos na escola e não a qualidade (assim dá mais votos e gasta-se pouco).